Tá, eu já te disse que não sei mentir. No máximo, eu consigo roubar pensamentos incrustados nos meus des-espaços, e, sorrateiramente, falar de uma forma que você nunca irá entender. E não, eu não sou louca. Eu sou essa hipérbole desossada que se acostumou a dar prazer às minhas palavras, através do seu corpo e do seu sorriso. Ah, o seu sorriso, acho que sobre isso eu nunca te falei, não é? Há tempos hipnotizei-me e prometi a mim mesma dedicar-te cada pedaço do meu desejo e do meu amor bondosamente fraternal, oferecer-te meu não e meu sim, aquilo que mais te aprouver, aquilo que mais te fizer homem e amigo, tudo ao mesmo tempo e com a mesma intensidade. Isso só por causa do seu sorriso, sabia? Ele abriu para mim seu buraco negro, com as paredes barrentas infiltradas de sonhos e desesperos, amor e saudade, medo e solidão. E eu amei tudo isso, tudo seu, tudo são e doente. Mas não, não posso te dizer essas verdades. Eu juraria preferir mentir. Ser apenas a incógnita oscilante que não machuca nem desespera, que não provoca e não sacia. Queria ser qualquer coisa que fosse uma falácia suportavelmente aceitável. Queria dizer que não te amo, mas...
eu já te disse que não sei mentir...
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Lais Mouriê
No ouvido: Plush, Stone Temple Pilots







